segunda-feira, 7 de novembro de 2011

HISTÓRIA DO SINDIPETRO-RJ

por Emanuel Cancella

1. Por favor, faça um breve relato das principais lutas do Sindipetro_RJ, atuais e historicas.

Entre as principais lutas está a greve nacional da categoria de 32 dias em 1994/1995 quando houve 100 demissões e a assinatura de quatro acordos entre a empresa e os sindicatos; os acordos foram desrespeitados; era na verdade a tentativa de privatização da Petrobrás. Durante a greve fizemos passeata até a porta da TV Manchete, na Glória, ocupamos a emissora e garantimos o direto de resposta às calúnias, injúrias e difamações que divulgavam contra a Petrobrás e os petroleiros. Pelos mesmos motivos fizemos passeata até a porta da Globo no Jardim Botânico. Eles não conseguiram privatizar a Petrobrás graças à greve da categoria e o apoio da sociedade principalmente nas universidades com a campanha "Somos Todos Petroleiros".

Outra luta importante foi a dos demitidos do Plano Collor em 1992. Com o apoio do Sindipetro-RJ, e dos demais sindicatos da categoria, os trabalhadores ocuparam a sede da Petrobrás por 42 dias onde enfrentaram todo tipo de represália: confronto com batalhão de choque, tortura através de temperaturas da Sibéria nas madrugadas para inviabilizar a permanência no prédio da Petrobrás; impedimento dos petroleiro(a)s de usarem o banheiro; várias torturas psicológicas entre elas a ameaça diária de ação do batalhão de choque para retirar os demitidos o que acabou acontecendo. Resultado dessa luta: 800 petroleiros de todo o Brasil, demitidos do Plano Collor, foram os primeiros a serem reintegrado no Brasil. Tiveram todos os direitos incorporados e receberam o passivo em oito parcelas.

Outra luta importante que ainda travamos é pela soberania nacional que inclui a defesa da Petrobrás e do nosso petróleo. Nessa batalha, petroleiros e camponeses já ocupamos o salão verde do Congresso Nacional para impedir a quebra do Monopólio Estatal do Petróleo em 1996. Conseguimos impedir a mudança do nome da Petrobrás para Petrobrax e a privatização da empresa, mas não conseguimos barrar a quebra do monopólio. Com a quebra do monopólio pelo governo de FHC, foi criada a Agencia Nacional de Petróleo, ANP, e introduzidos os famigerados leilões de petróleo. Na luta contra os leilões de petróleo, criamos a PLS / 531/09 que propõe a Petrobrás 100% estatal, a volta do monopólio, o fim dos leilões e a revisão dos já realizados entre outros pontos. Esse projeto de lei, conhecido como Projeto dos Movimentos Sociais, é subscrito pelos partidos de esquerda, pelas centrais sindicais e os principais movimentos sociais brasileiros e tramita no Senado federal. Na luta contra os leilões, o Sindipetro-RJ já participou em Brasília da ocupação do Ministério de Minas e Energia, da sede da ANP e da sede da Petrobrás. Nessas lutas vários companheiros já foram agredidos pela policia e enfrentam processos judiciais por parte da policia federal e da policia militar. Alguns companheiros além de presos e agredidos, tiveram sua integridade física ameaçada e registraram denúncia na corregedoria de policia.






2. Quais são os principais parceiros políticos do Sindipetro no Rio de Janeiro e nacionalmente?

Temos orgulho de sermos parceiros do MST da via Campesina e de outras organizações de trabalhadores no campo; temos estreito relacionamento com as entidades de sem-teto como a Fist e o MTD. MAB, CMP, centrais sindicais como CUT, Intersindical e Conlutas entre outras. Organizações estudantis como a UNE e as várias oposições sindicais de estudantes. Na verdade, na campanha " O petróleo tem que ser nosso!" conseguimos agregar um leque de entidades parceiras que dificilmente se unem em outras lutas. Isso nos deixa tristes por vermos trabalhadores divididos, e lisonjeados por tê-los ao nosso lado.


3. Qual é o tipo de relação que existe com a FUP, a CUT e outras centrais sindicais?
Nosso sindicato e vários de seus diretores são fundadores e ex- diretores da CUT e da FUP. Apesar do bom relacionamento com vários companheiros da FUP, entendemos que a entidade como representante dos petroleiros deixa a desejar. Várias bandeiras que empunhávamos no passado foram abandonadas pela FUP, como a do nosso Fundo de pensão e o total abandono dos aposentados da Petrobrás. Mas, na luta em defesa da Petrobrás e na campanha do petróleo, somos parceiros.

A CUT tem um histórico de lutas como contra a ditadura e pelas Diretas Já! A CUT contribui muito na luta e na organização dos trabalhadores, é a principal referência de luta dos trabalhadores. Com a chegada do PT ao governo, grande parte da CUT virou correio de transmissão dos governos. Mas ainda existem na CUT sindicatos independentes do governo e dos patrões entre os quais o Sindipetro-RJ. Temos um excelente relacionamento com as outras centrais sindicais tais como Intersindical, Conlutas e CTB entre outras. Mas no do Sindipetro-RJ e grande parte dos trabalhadores vemos com tristeza o atrelamento de grande parte da CUT ao governo e também desconfiamos da proliferação de outras centrais sindicais atreladas a partidos políticos sem histórico de lutas. Acredito que os trabalhadores vão superar os obstáculos e, como no passado, na criação da CUT, onde senão éramos a única central porém mais de 90% dos trabalhadores empunhavam uma única bandeira sindical.



4. Existe(m) outro(s) sindicato(s) que são parceiros? se sim, destaque qual o tipo de parceria.

Dentro da categoria petroleira fomos fundadores da FUP que com a chegada de Lula e do PT ao governo, abandonamos através de plebiscito nas bases. Não que sejamos contra Lula e o PT, entendemos que os sindicatos devam ser independentes do governo e dos patrões. Depois ajudamos a criar a FNP, que congrega 4 sindicatos de petroleiros (São José dos Campos, Litoral Paulista, Sergipe Alagoas, Sindipetro PA/AM/MA/AM) e consideramos a FNP alternativa à FUP. Existe um problema de representação a ser superado para após nos incorporamos.

5. Por que o Sindipetro tem uma política de ajuda financeira aos movimentos sociais? Você acha que isso, de alguma forma, cria uma espécie de dependencia dos movimentos sociais pelo sindicato?

O nosso sindicato é de uma categoria que mantém um alto poder aquisitivo e tem um número considerável de associados que financiam nossa entidade. Dentro do limite, ajudamos a movimentos, entidades e sindicatos que não têm como se auto- sustentar. A contrapartida, na maioria das vezes, é a parceria na campanha do petróleo. Lamentavelmente outros sindicatos que poderiam fazer o mesmo, não fazem. Os pedidos de ajuda se multiplicam e muitas vezes não temos como atender. Temos alertado a alguns parceiros que procurem também outras entidades inclusive para não criar uma dependência.


6. Existe alguma preocupação do Sindipetro para com os desempregados ou os terceirizados da Petrobrás ? eles são estimulados a se sindicalizarem?


Grande parte do nosso trabalho é voltado para os terceirizados. Somos contra a terceirização, mas não somos contra os terceirizados. Não sindicalizamos esses trabalhadores porque esbarramos na lei e na falta de estrutura para tal. Inclusive temos um número pequeno de diretores liberados e a nossa base se expande de forma geométrica, agora, por exemplo, com a criação em nossa base do Comperj. O Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro, segundo perspectiva da própria empresa, deverá ter cerca de 200 mil trabalhadores.

Os demitidos do Sistema Petrobrás sempre se organizaram dentro de nossa entidade. Graças a nossa ajuda e de outros sindicatos da categoria grande parte desses demitidos voltaram à Petrobrás.

7. Existe algum setor interno que se ocupa dessas questões anteriormente citadas?

Demitidos e terceirizados são massacrados pela Petrobrás. Para cada trabalhador primeirizado existem três terceirizados. Os demitidos voltaram para empresa na luta através dos sindicatos ou por obra do governo Lula que os colocou para dentro da empresa, mas esses trabalhadores são marginalizados dentro da companhia. Muitos deles são manipulados por falsas lideranças e pelo RH da companhia. Inclusive grande parte desses formou a chapa que tentou sem sucesso nos derrotar na última eleição sindical.

Rio de Janeiro, 25 de outubro de 2011

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