quarta-feira, 6 de julho de 2016

O complô da Globo e da Lava Jato para destruir o Brasil e a Petrobrás

Jornal do Sindipetro-RJ, Surgente, nº 1393, de 07/07/16


Os tucanos são blindados e os petistas massacrados pela Lava Jato e pela mídia golpista. Por que será?  

Enquanto os primeiros querem entregar todo o patrimônio público e o pré-sal às petrolíferas estadunidenses, os governos do PT, mesmo cometendo erros, tentaram preservar minimamente as riquezas brasileiras, por exemplo, através da Lei de Partilha. Também criaram empregos e tentaram aquecer a indústria nacional, por meio de investimentos na Petrobrás e da lei do “conteúdo nacional”. Esse é um divisor de águas. Diante dos fatos, fica fácil entender a que interesses servem o juiz Moro e seu braço partidário, o PSDB, agora aliado aos traidores do PMDB.   

O que estamos assistindo é um aprofundamento das políticas neoliberais de Fernando Henrique Cardoso, ditadas por Washington.  FHC tentou privatizar a Petrobrás, inclusive fez campanha na mídia, comparando a Petrobrás a um paquiderme e  chamando os petroleiros de marajás. A resposta dos petroleiros veio em 2006 com o desenvolvimento de tecnologia inédita no mundo, através do Cenpes e a descoberta do pré-sal, que já produz mais de um milhão de barris por dia. O jornal O Globo, porta-voz da direita golpista,  em editorial publicado em   dezembro de 2015, escreveu: ‘O pré-sal pode ser patrimônio inútil’. 
A Globo premiou o ministro Joaquim Barbosa que comandou no STF a AP 470, também conhecida como mensalão. Barbosa usou o ‘”domínio dos fatos”, ao invés das provas materiais que são o padrão no direito brasileiro,  para condenar vários parlamentares,  a maioria do PT. No entanto, a justiça deixou prescrever  o mensalão tucano, anterior ao do PT, e a mídia oportunista se omite. 
  
O mesmo prêmio que deu a Joaquim Barbosa, a Globo também deu ao juiz Sérgio Moro, que foram chamados de “homens que fazem a diferença”. Uma das diferenças é a indecente blindagem dos tucanos na apuração dos atos de corrupção, como o senador Aécio Neves, já sete vezes citado em envolvimentos para lá de suspeitos, mas até agora intocado.

A tarefa destinada ao juiz Moro, provavelmente por seus patrões do hemisfério norte,  é prender petistas. Assim ele desmoraliza os trabalhadores no imaginário da população e inviabiliza qualquer possibilidade de rompimento com os projetos entreguistas que o golpista interino está encaminhando, a toque de caixa.

Moro mandou prender o tesoureiro e o ex-tesoureiro do PT. Mas não mandou prender os tesoureiros do PMDB, do PSDB, do PSB, do DEM e de outros partidos aliados no projeto de destruição da Petrobrás e do Brasil, apesar do evidente envolvimento nos atos de corrupção apurados pela Lava Jato.
Depois de um ano e meio de investigações na Petrobrás, a Lava Jato continua vazando informações de forma seletiva. Há um criminoso silêncio em relação a escândalos maiores, como o Zelotes, que envolve bilionária sonegação de impostos de   bancos (Santander, Safra e Bradesco); companhias de cimento; e Boston Negócios, J.G. Rodrigues, Café Irmãos Julio E Mundial-Eberle; montadoras Ford e Mitsubishi; Grupo Gerdau; e a maior afiliada da Rede Globo, a RBS. Os valores sonegados no Zelotes superam, de longe, os da Lava Jato.

 A Globo teve a petulância de apresentar uma matéria mentirosa no Fantástico, sobre o Benefício Farmácia. Trata-se de uma conquista dos trabalhadores, firmada em acordo coletivo, que permite retirar, nas farmácias credenciadas, parte dos medicamentos, através do receituário médico. Insinuando que os petroleiros são privilegiados, a reportagem omite, de forma sórdida, que os beneficiários e seus dependentes sofrem descontos em seus salários em troca do benefício. Além disso, mais de 40% são funcionários novos que pouco uso fazem dos medicamentos.

A reportagem do Fantástico chegou a relatar a compra de remédio para um cachorrinho, no mais patético exemplo de “imprensa marrom”. Ora, o benefício farmácia não inclui o atendimento a animais! Tem gente na categoria denunciando que o próprio Pedro Parente pagou matéria para prejudicar ainda mais a imagem dos petroleiros e da Petrobrás.  
Nós, empregados da Petrobrás,  exigimos que todos os corruptos e corruptores vão  para a cadeia e o dinheiro roubado seja devolvido aos cofres públicos, mas não concordamos que o Lava Jato receba 10% dos acordos de leniência, até por que nenhum petroleiro será premiado se desenvolver alguma patente ou fizer alguma descoberta: para o petroleiro isso é dever de oficio.

A Rede Globo apoiou três golpes: o primeiro contra Getulio Vargas, depois que em seu governo foi anunciada a criação da Petrobrás, pela Lei 2004/53; o segundo, contra o governo João Goulart, depois que estatizou a distribuição e as refinarias privadas. A emissora apoiou e cresceu à sombra da ditadura empresarial-civil-militar; o terceiro golpe que têm na Globo uma de suas articuladoras está acontecendo agora, contra o governo da presidenta Dilma, eleito pela maioria do povo brasileiro.

Nosso compromisso é com a defesa intransigente do caráter estatal da   Petrobrás que abastece o país de derivados de petroleiros há 62 anos, participa com 13% do PIB nacional e vinha financiando o crescimento do país, com os impostos que paga, sendo responsável por  80% das obras do PAC. A descoberta do pré-sal garante a  autossuficiência do país por, no mínimo, 50 anos.  Não vamos aceitar de braços cruzados o projeto entreguista de destruição dos direitos, dos empregos, muito menos dessa empresa gigante que ajudamos a construir, por várias gerações. 


Rio de Janeiro, 06 de julho de 2016 

Autor: Emanuel Cancella, - OAB/RJ 75 300              
       
Emanuel Cancella é coordenador do Sindicato dos Petroleiros do Estado do Rio de Janeiro (Sindipetro-RJ) e da Federação Nacional dos Petroleiros (FNP). 






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